BTG, Bradesco e Itaú revisam Selic para baixo após surpresa positiva no IPCA

Enquanto algumas instituições veem espaço para novos cortes de juros, outras mantêm a cautela diante das incertezas na economia brasileira.

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Publicado em 13/07/2026 às 15:40h Publicado em 13/07/2026 às 15:40h por user unknown
O BTG foi uma das casas mais otimistas ao revisar suas estimativas (Imagem: Shutterstock)
O BTG foi uma das casas mais otimistas ao revisar suas estimativas (Imagem: Shutterstock)
🚨 A combinação entre uma inflação mais comportada em junho e sinais de desaceleração no mercado de trabalho levou bancos e casas de análise a revisarem suas projeções para a taxa Selic no encerramento de 2026. 
Enquanto algumas instituições passaram a enxergar espaço para novos cortes de juros, outras preferiram manter um cenário mais cauteloso diante das incertezas que ainda rondam a economia brasileira.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho surpreendeu positivamente o mercado ao mostrar inflação mais comportada do que a esperada, antecipando uma melhora que muitos analistas só previam para os próximos meses. 
Um dos principais fatores por trás dessa desaceleração foi a queda mais intensa do preço do petróleo, que recuou rapidamente para níveis próximos aos observados antes do início do conflito entre EUA e Irã.
Além da inflação, o Caged também mostrou um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado, reforçando a percepção de que a economia está perdendo fôlego. O conjunto de dados foi suficiente para mover o consenso de mercado na direção de uma Selic mais baixa ao fim do ano.

BTG passa a projetar dois cortes adicionais e Selic a 13,75%

O BTG Pactual (BPAC11) foi uma das casas que revisaram mais expressivamente suas estimativas. Antes da reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), o banco via a Selic encerrando o ciclo de cortes em 14,25%. 
Com os novos dados, passou a projetar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual cada, levando a taxa para 13,75% no fim de 2026.
O Bradesco (BBDC4) seguiu na mesma direção e elevou elevando sua projeção para a Selic de 12,75% para 13,75% no fim do ano, o que implica a expectativa de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro. 
A equipe econômica do banco, liderada por Fernando Honorato Barbosa, destacou que a ata da reunião mais recente do Copom revela um comitê que optou por uma trajetória mais gradual de afrouxamento mesmo diante de um balanço de riscos assimétrico para cima, influenciado tanto pelo choque da guerra quanto por fatores ainda não inteiramente precificados, como o El Niño.
Já o Itaú (ITUB4) adotou postura mais conservadora em sua atualização de projeções. O banco prevê que o Banco Central optará por interromper o ciclo de cortes nas próximas reuniões, com a Selic chegando ao fim de 2026 em 14% ao ano, ante os atuais 14,25%. 
Com quatro reuniões do Copom ainda previstas até dezembro, o cenário do Itaú embute três pausas e apenas um corte adicional até o encerramento do ano. O banco projeta, no entanto, a retomada do afrouxamento monetário em 2027, quando a taxa poderia recuar até 12,5%.
O Bank of America (BofA) também aproveitou os dados mais benignos doGoste dia para revisar seu cenário. David Beker, chefe de Economia para o Brasil e de Estratégia para a América Latina do banco, avaliou que há espaço para pelo menos mais um corte de juros. 
A instituição passou a projetar a Selic em 14% no fim de 2026, sem descartar novos movimentos caso o ambiente continue evoluindo de forma favorável.
📈 Nem todas as casas decidiram mexer nas estimativas. O ASA manteve a projeção de Selic em 14,25% no fim de 2026, sem prever novos cortes. Citi e Genial Investimentos também seguem com a mesma projeção, adotando postura mais conservadora diante das incertezas que ainda cercam o cenário fiscal e inflacionário de médio prazo.

Confira as projeções para a Selic no fim de 2026

Instituição Projeção para a Selic em 2026
Inter 13,25%
JPMorgan 13,25%
BB Investimentos 13,25%
Safra 13,50%
BTG Pactual 13,75%
Santander 13,75%
Bradesco 13,75%
Itaú 14,00%
Bank of América 14,00%
XP 14,00%
Goldman Sachs 14,00%
Genial Investimentos 14,25%
Citi 14,25%
ASA 14,25%
HSBC 14,25%