🚨 A combinação entre uma
inflação mais comportada em junho e sinais de desaceleração no mercado de trabalho levou bancos e casas de análise a revisarem suas projeções para a
taxa Selic no encerramento de 2026.
Enquanto algumas instituições passaram a enxergar espaço para novos cortes de juros, outras preferiram manter um cenário mais cauteloso diante das incertezas que ainda rondam a economia brasileira.
O
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho surpreendeu positivamente o mercado ao mostrar inflação mais comportada do que a esperada, antecipando uma melhora que muitos analistas só previam para os próximos meses.
Um dos principais fatores por trás dessa desaceleração foi a queda mais intensa do preço do
petróleo, que recuou rapidamente para níveis próximos aos observados antes do início do conflito entre EUA e Irã.
Além da inflação, o Caged também mostrou um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado, reforçando a percepção de que a economia está perdendo fôlego. O conjunto de dados foi suficiente para mover o consenso de mercado na direção de uma Selic mais baixa ao fim do ano.
BTG passa a projetar dois cortes adicionais e Selic a 13,75%
O
BTG Pactual (BPAC11) foi uma das casas que revisaram mais expressivamente suas estimativas. Antes da reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), o banco via a Selic encerrando o ciclo de cortes em 14,25%.
Com os novos dados, passou a projetar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual cada, levando a taxa para 13,75% no fim de 2026.
O
Bradesco (BBDC4) seguiu na mesma direção e elevou elevando sua projeção para a Selic de 12,75% para 13,75% no fim do ano, o que implica a expectativa de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro.
A equipe econômica do banco, liderada por Fernando Honorato Barbosa, destacou que a ata da reunião mais recente do Copom revela um comitê que optou por uma trajetória mais gradual de afrouxamento mesmo diante de um balanço de riscos assimétrico para cima, influenciado tanto pelo choque da guerra quanto por fatores ainda não inteiramente precificados, como o El Niño.
Já o
Itaú (ITUB4) adotou postura mais conservadora em sua atualização de projeções. O banco prevê que o Banco Central optará por interromper o ciclo de cortes nas próximas reuniões, com a Selic chegando ao fim de 2026 em 14% ao ano, ante os atuais 14,25%.
Com quatro reuniões do Copom ainda previstas até dezembro, o cenário do Itaú embute três pausas e apenas um corte adicional até o encerramento do ano. O banco projeta, no entanto, a retomada do afrouxamento monetário em 2027, quando a taxa poderia recuar até 12,5%.
O Bank of America (BofA) também aproveitou os dados mais benignos doGoste dia para revisar seu cenário. David Beker, chefe de Economia para o Brasil e de Estratégia para a América Latina do banco, avaliou que há espaço para pelo menos mais um corte de juros.
A instituição passou a projetar a Selic em 14% no fim de 2026, sem descartar novos movimentos caso o ambiente continue evoluindo de forma favorável.
📈 Nem todas as casas decidiram mexer nas estimativas. O ASA manteve a projeção de Selic em 14,25% no fim de 2026, sem prever novos cortes. Citi e Genial Investimentos também seguem com a mesma projeção, adotando postura mais conservadora diante das incertezas que ainda cercam o cenário fiscal e inflacionário de médio prazo.
Confira as projeções para a Selic no fim de 2026
| Instituição |
Projeção para a Selic em 2026 |
| Inter |
13,25% |
| JPMorgan |
13,25% |
| BB Investimentos |
13,25% |
| Safra |
13,50% |
| BTG Pactual |
13,75% |
| Santander |
13,75% |
| Bradesco |
13,75% |
| Itaú |
14,00% |
| Bank of América |
14,00% |
| XP |
14,00% |
| Goldman Sachs |
14,00% |
| Genial Investimentos |
14,25% |
| Citi |
14,25% |
| ASA |
14,25% |
| HSBC |
14,25% |