Pela nova estrutura, André Ferreira Peixoto assumirá a presidência-executiva no lugar de Victor Pereira Noda. Na diretoria financeira e de relações com investidores, Fabio Ferrante substituirá Marcelo Rodrigues Marques. Já Daniel Passos de Melo ficará responsável pela diretoria de operações e sistemas logísticos, ocupando o posto antes comandado por Mário Fernandes Filho.
Noda, Marques e Fernandes Filho seguirão ligados como integrantes do conselho de administração do grupo e da Estok Comércio e Representações. A companhia afirmou que “a transição não acarreta qualquer alteração significativa na estratégia de longo prazo, nos compromissos assumidos perante os acionistas e o mercado, ou na condução dos negócios da companhia”.
As ações da companhia encerraram o pregão da véspera com queda de 41,38%, cotadas a R$ 0,17. No acumulado do ano, os papéis já acumulam desvalorização próxima de 80%. No entanto, após o anúncio de troca de comando subiram quase 24%, às 11h38, horário de Brasília.
Na véspera, o grupo Toky entrou com pedido de recuperação judicial reportando uma dívida de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Segundo o processo apresentado pela companhia, o passivo totaliza R$ 1,12 bilhão. A empresa atribuiu o agravamento da situação financeira ao cenário de juros elevados e ao aumento do endividamento das famílias, fatores que pressionaram o consumo.
O que mais explica a queda da Toky
Para o advogado Aislan Campos Rocco, sócio do Barroso Advogados Associados e associado do TMA Brasil, o caso mostra como a recuperação judicial pode funcionar como ferramenta estratégica em períodos de forte pressão financeira.
“Mais do que uma renegociação coletiva de passivos, a recuperação judicial funciona, neste caso, como um mecanismo de estabilização operacional e de proteção imediata do fluxo de caixa, permitindo que a empresa ganhe tempo para reorganizar sua estrutura financeira”, afirmou o especialista.
Segundo Rocco, a crise do grupo é resultado da combinação de fatores macroeconômicos, operacionais e financeiros. “O cenário de inflação elevada, juros altos e retração do consumo de bens duráveis reduziu significativamente a capacidade de geração de caixa das empresas. Ao mesmo tempo, os impactos da pandemia, com aumento dos custos logísticos e dificuldades na cadeia de suprimentos, agravaram ainda mais a situação”, explicou.
O advogado também destacou que o grupo já vinha tentando reorganizar sua estrutura financeira por meio de renegociações bancárias, recuperação extrajudicial e da combinação de negócios entre Tok&Stok e Mobly. “Apesar dessas medidas, os resultados financeiros ficaram abaixo das projeções inicialmente estimadas, frustrando a expectativa de uma recuperação sustentável da geração de caixa”, observou.