7 segredos dos grandes investidores que você deve conhecer
Publicado em 24/12/2020
O EBIT faz parte da família dos indicadores fundamentalistas e mostra o quão eficiente uma empresa é para gerar resultado com sua atividade principal.
Na prática, ela indica a margem de lucro que a empresa produz antes de descontar juros e impostos, ou seja, revela a capacidade de gerar resultado a partir dos ativos operacionais, independentemente da estrutura de capital (dívida, juros) ou da carga tributária a que a empresa está submetida.
EBIT: indica a margem de lucro que a empresa produz antes de descontar juros e impostos
Antes de chegar à margem, é preciso entender o EBIT (Earnings Before Interest and Taxes, ou lucro antes de juros e impostos). Ele representa o lucro operacional da empresa antes do reconhecimento de despesas financeiras e da tributação.
Ao remover essas duas variáveis, o EBIT se aproxima mais da real capacidade de geração de caixa e se torna uma métrica melhor para medir a eficiência operacional pura.
O cálculo é direto: EBIT = Lucro Líquido + Resultado Financeiro Líquido + Imposto de Renda
Exemplo prático: Magazine Luiza (2019)
Com base na DRE da Magazine Luiza, temos:
EBIT = 921,8 + 70,4 + 296,3 = R$ 1.288,6 milhões
💡 Vale lembrar que você não precisa fazer essa conta na mão: na página de cada ativo no Investidor10, o EBIT e o EBITDA já aparecem calculados automaticamente, com histórico de anos anteriores para você comparar a evolução da empresa.
O EBIT também é a base para outros indicadores importantes, como EV/EBIT, P/EBIT e a própria Margem EBIT.
Confira a diferença entre três dos principais indicadores utilizados na análise fundamentalista:
EBIT: representa o lucro operacional da empresa antes da dedução de juros e impostos. Esse indicador mostra quanto o negócio gera com suas atividades principais, sem considerar a forma de financiamento ou a carga tributária.
EBITDA: corresponde ao EBIT acrescido da depreciação e da amortização. É utilizado para avaliar a capacidade de geração operacional da empresa, desconsiderando despesas contábeis que não representam saída imediata de caixa.
EV/EBITDA: é um múltiplo calculado pela divisão do Valor da Empresa (Enterprise Value – EV) pelo EBITDA. Esse indicador ajuda a avaliar se uma empresa está relativamente cara ou barata em relação à sua capacidade de geração operacional, sendo amplamente utilizado na comparação entre empresas do mesmo setor.
Saiba mais: EBITDA: saiba o que é e como calcular
Com o EBIT em mãos, basta dividi-lo pela Receita Líquida: Margem EBIT = EBIT / Receita Líquida
Voltando ao exemplo da Magazine Luiza:
Margem EBIT = 1.288,6 / 19.886,3 = 6,48%
Ou seja, a cada R$ 100 em vendas, aproximadamente R$ 6,50 se converteram em resultado operacional antes de juros e impostos.
Essa lógica lembra a da margem bruta, com uma diferença importante: a margem bruta usa a receita bruta, enquanto a Margem EBIT usa a receita líquida.
Uma dúvida comum de quem está começando: se o que sobra de fato para o dono do negócio é o lucro líquido, qual o sentido de analisar o EBIT em vez de ir direto ao resultado final?
A resposta fica clara com um exemplo simples de duas empresas do mesmo setor, com modelo de negócio parecido, mas estruturas de capital diferentes: uma sem dívida e outra alavancada.
|
Indicador (para cada R$ 100 de receita) |
Empresa A (sem dívida) |
Empresa B (alavancada) |
|
Margem bruta |
50% |
70% |
|
Margem EBIT |
35% |
60% |
|
Despesa financeira (juros) |
R$ 0 |
R$ 40 |
|
Lucro tributável |
R$ 35 |
R$ 20 |
|
Imposto (alíquota de 34%) |
R$ 11,9 |
R$ 6,8 |
|
Lucro líquido |
R$ 23,1 |
R$ 13,2 |
|
Margem líquida |
~23% |
~13% |
Valores ilustrativos, com a mesma alíquota de imposto (34%) para as duas empresas.
Repare no paradoxo: a Empresa B é claramente mais eficiente operacionalmente, margem bruta e Margem EBIT maiores nas duas comparações. O problema é que ela carrega uma dívida pesada, e o pagamento de juros consome boa parte desse resultado antes de chegar à última linha da DRE.
Se você olhasse só o lucro líquido, concluiria que a Empresa A é "melhor", porque sobra mais dinheiro hoje. Mas essa leitura esconde o que está por trás do número: a Empresa A só parece superior porque não tem dívida, não porque opera com mais eficiência, na verdade, é o oposto.
Por isso o EBIT e a Margem EBIT existem: eles isolam o resultado operacional puro, antes do "ruído" causado por decisões de financiamento e pela tributação, permitindo comparar de forma justa a eficiência de duas empresas mesmo quando uma está mais endividada que a outra.
Essa distinção também explica por que empresas como a B costumam interessar bancos, credores e consultorias de reestruturação financeira: operacionalmente elas performam bem e geram EBIT suficiente para pagar sua dívida, e se ajustarem a estrutura de capital.
Além de ter potencial para destravar bem mais valor do que uma empresa como a A, cujo teto operacional já está mais próximo do limite.

Como o indicador desconsidera juros e tributos, valores que dependem mais da estrutura de capital e do regime tributário do que da operação em si, ele funciona como um retrato mais fiel da capacidade operacional da empresa.
De forma geral, quanto maior o EBIT e sua margem, melhor: isso costuma indicar vantagens competitivas mais fortes frente aos concorrentes.
Ainda assim, como o exemplo acima deixa claro, é preciso cautela: nem olhar só o lucro líquido (mais sujeito a distorções da estrutura de capital), nem olhar só o EBIT (que pode mascarar um endividamento arriscado), é suficiente sozinho. O ideal é analisar os dois em conjunto, por duas óticas complementares:
Ótica do resultado final (acionista): o que importa é o que sobra depois de juros, impostos e toda a estrutura de capital, é o lucro líquido que efetivamente pertence ao dono do negócio.
Ótica operacional (ou de crédito): o EBIT e sua margem mostram se a empresa performa bem independentemente de como ela se financia, informação essencial para saber se uma margem líquida fraca é sintoma de operação ruim ou apenas de uma estrutura de capital agressiva (o que pode, inclusive, ser revertido).
Na prática, isso significa nunca tomar decisões de investimento com base em um único indicador, combine a Margem EBIT com análises de dívida, fluxo de caixa e outros indicadores fundamentalistas.
Uma forma de fazer isso é usar o Comparador de Ações do Investidor10, que coloca lado a lado a Margem EBIT e outros indicadores de diferentes empresas, facilitando enxergar se uma margem alta é consistente ou está sendo sustentada por uma estrutura de capital arriscada.
⚠️ Atenção: o EBIT também desconsidera os ganhos com aplicações financeiras. Isso ajuda a separar o que a empresa ganha operando do que ela ganha aplicando caixa no mercado financeiro.
Util para avaliar se a gestão está alinhada ao perfil que você espera como investidor, por exemplo, se ela deveria estar reinvestindo mais na operação em vez de aplicar grandes volumes no mercado financeiro.
Essa leitura, como todas as outras, só faz sentido quando analisada junto com o contexto da empresa e do setor.
EBIT é mais um dado valioso para avaliar a eficiência operacional de uma empresa, mas, como qualquer indicador fundamentalista, funciona melhor em conjunto com outras métricas, nunca isoladamente.
O Investidor10 reúne, em um só lugar, os indicadores fundamentalistas, o histórico financeiro e as ferramentas de comparação entre empresas: para que você não precise calcular nada na mão nem analisar um único número isolado, e sim tenha o contexto completo antes de decidir.
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